Granito Boneli

“Estresse” no crédito rural deve continuar até metade de 2026

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), entidade representativa do agronegócio, aponta que a situação de estresse no crédito rural brasileiro deve continuar até pelo menos a metade de 2026, com possível estabilização apenas após maio, caso fatores econômicos se normalizem e não ocorram novos choques. 

Segundo a análise, a carteira “estressada”, que inclui dívidas em atraso, inadimplência e renegociações, cresceu de forma acelerada em 2025, representando cerca de 15% do total do crédito rural ativo e sinalizando uma deterioração financeira significativa entre produtores. 

As operações “estressadas” de crédito rural, saltou de R$ 72,2 bilhões em julho de 2024 para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025, segundo dados mais recentes fornecidos pelo Banco Central. 

O principal fator apontado para esse quadro são as altas taxas de juros, que, em meio a um cenário de pressão inflacionária e desequilíbrio fiscal, tornam mais caro o financiamento da produção, elevando o custo da dívida e dificultando a recuperação econômica do setor. 

Além disso, parte expressiva das renegociações foi feita com recursos sujeitos a juros de mercado, o que pode acabar aumentando o saldo devedor em vez de aliviar a pressão financeira. 

Diante desse contexto, a entidade defende avanços legislativos e políticas públicas mais eficazes para estruturar o endividamento rural, reduzir a dependência de crédito caro e, assim, mitigar os riscos de acumulação de dívidas e impactos negativos ao agronegócio nos próximos meses.

Fonte: https://globorural.globo.com/credito-e-investimento/noticia/2026/01/estresse-no-credito-rural-deve-continuar-ate-metade-de-2026-estima-entidade.ghtml